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O lixo e o Fator 10. |
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| O lixo e o Fator 10
Eduardo Athayde
Diretor da UMA - Universidade Livre da Mata Atlântica e do WWI - Worldwatch
Institute no Brasil
Esforços internacionais convocam governos, empresas e sociedade civil para
adotar o "Fator 10", isto é, aumentar em 10 vezes a eco-eficiência no
processo produtivo nos próximos 30 anos, buscando um desenvolvimento que
promova o progresso das gerações presentes, mas que também garanta o das
gerações futuras.
Em 1900 havia 1,5 bilhão de pessoas no mundo. Hoje existem seis bilhões. A
"pegada ecológica" conceito surgido na década passada, fornece uma medida
aproximada do impacto que a produção e o consumo de materiais, de alimentos,
de combustíveis, etc., está tendo sobre o ambiente, mostrando a dimensão das
armadilhas criadas pela civilização moderna para si mesma.
A economia do "jogar fora" está começando a dar sinais de transformação. A
Bahia que recicla 21% do seu lixo, ainda tem mais de 90% das suas cidades
sem esgotamento sanitário. Os esgotos são levados para as fossas ou
despejados nas águas dos rios que abastecem campos e as cidades. Segundo a
Organização Mundial de Saúde - OMS, 80% de todas as doenças nos países em
desenvolvimento advêm do consumo de água contaminada.
O conceito da minimização de resíduos, antes da reciclagem, pode ser
incluído nas políticas de compras públicas nos três níveis: federal,
estadual e municipal, estimulando o mercado nesta direção. Mecanismos
sintonizados com o "Fator 10", se introduzidos na Lei das licitações,
induzirão à aquisição de produtos eco-eficientes pelos governos. Fica a
sugestão para os congressistas eleitos e para os reeleitos.
Dados curiosos demonstram o estrago que, inadvertidamente, estamos causando
ao Planeta. John Young, pesquisador da organização não-governamental
Worldwatch Institute - WWI, calculou que para criar um simples par de
alianças de ouro, são processados materiais equivalentes a um buraco de três
metros de comprimento, por um e meio de largura e um e meio de profundidade.
Tivemos duas grandes revoluções em termos de mudanças nas atividades
econômicas, afirmou o cientista Lester Brown, fundador do WWI, em entrevista
nas páginas amarelas da Veja. "A primeira foi a revolução agrícola, há dez
mil anos. A segunda foi a industrial, que começou há dois séculos.
Estamos agora diante de outra grande reestruturação, que chamamos de
revolução ambiental. A diferença é que uma durou muitos milênios e a outra,
dois séculos. A revolução ambiental precisará acontecer em poucas décadas se
quiser resultados". Cerca de 150 mil brasileiros hoje vivem da coleta de
latas de alumínio e geram uma renda que varia de R$ 200 a 600/mês. 45 latas
de alumínio podem ser trocadas por um quilo de feijão e 35 por um quilo de
arroz.
Cerca de 65% das latas de alumínio e 21% dos vasilhames de refrigerante
(Pets) são reciclados no Brasil, o resto, com o nome one way (via única),
não voltam para as fábricas. Ficam nas praias, ruas e rios; são parte do
velho paradigma econômico do "jogar fora".
A econologia - visão socioeconômico-ecológica integrada - ajuda na montagem
da nova equação. O "Fator 10" é um aliado do programa "Fome Zero",
prioridade do governo eleito. Pode ajudar na redução da fome e ir além,
gerando o lucro social, econômico e ecológico, integrados.
A poluição atmosférica mata três vezes mais que o trânsito. Pequenas
partículas com dez micrômetros de diâmetro (1/2.400 de uma polegada) ou
menores, podem se alojar nas alveólas do pulmão, como afirma o cientista
Bernie Fischlowitz-Roberts, pesquisador do Earth Policy Institute - EPI. Na
província canadense de Ontário a poluição atmosférica custa aos
contribuintes cerca US$ 1 bi/ano em hospitalizações, emergências e ausências
ao trabalho.
Quanto será que custa a poluição do ar, da terra e da água, aos cofres
públicos aqui? A River Rouge, fábrica da Ford em Michigan, considerada um
emblema da Segunda Revolução Industrial há 70 anos, foi modernizada. A Ford
investiu US$ 2 bilhões na sua reforma transformando o telhado de 4 ha num
"teto vivo", uma área plantada que baixa o custo de refrigeração do ambiente
interno, enquanto clarabóias inundam a fábrica de luz natural. Os
economistas e engenheiros gostaram das mudanças tanto quanto os ecologistas.
Deram os primeiros passos. "A mente que se abre a uma nova idéia jamais
voltará ao tamanho original", lembrava Einstein.
Como a River Rouge, os carros que hoje poluem, poderão no futuro próximo ser
modernizados, substituídos por veículos F-10 (Fator 10), movidos a
combustíveis limpos, eco-eficientes, levando as montadoras a usar a imagem
dos seus presidentes, nas telas da TV, para mostrar os seus investimentos na
melhoria da qualidade de vida da população, com a redução do nível de
poluição na atmosfera urbana.
Cada cidadão é parte ativa neste processo, o consumo sustentável pede a sua
atenção e o seu voto. O papel de um jornal pode ser mais um item no seu lixo
do dia, ou, pode entrar no "Fator 10" da sua casa ou trabalho. Este é um dos
muitos recicláveis com os quais temos contato no dia-a-dia, materiais que
podem gerar negócios - emprego e renda - ajudando a reduzir a fome, a manter
o Hospital do Câncer ou tantos outros à sua escolha. O poder do voto só é
lembrado quando somos convocados compulsoriamente para eleições, de dois em
dois anos. Voto é exercício da vontade, continua válido todos os dias. A
livre escolha é nossa.
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O lixo e o Fator 10. |
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Esforços internacionais convocam governos, empresas e sociedade civil para
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